A partir de uma interpretação de um papel, um personagem, podem o real e o teatral se mesclarem? Considerando os pontos em comum e talvez os vários pontos discrepantes, será que há uma possibilidade dessas duas coisas se fundirem?
As pessoas sentem certa necessidade de mostrarem o que não são, isso é fato, mas a imagem pela imagem é algo vazio. Quero abranger aqueles que usam essa interpretação pra algum outro motivo, seja para ganhar algo ou mesmo perder.
O sistema Stanislavski de interpretação basicamente prevê que a ação proposital acaba gerando em parte a emoção que quer ser representada. Essa emoção, por sua vez, consegue deixar o ator mais à vontade, mais apto à linearidade do papel (como o detalhismo dos movimentos, das expressões ou mesmo da fala). Retirando esse princípio dos palcos, a ação proposital conseguiria gerar essa emoção interpretada em nós, mas diferente dos palcos, não somos atores e não sabemos quando o outro está interpretando ou não. O que quero dizer é que se essa ação proposital, sem fins emotivos, geraria outro tipo de sentimento (falso a princípio pro interpretador) e isso causaria um efeito dominó nas outras pessoas. Talvez a mudança de atitude de um, mudasse também a atitude de outro e isso tudo mudaria a relação entre as pessoas.
Partindo do sistema Stanislavski e, em suas devidas proporções, aplicá-lo a vida real, seria possível o controle sobre nossas relações e aquele que soubesse como agir, comandaria suas relações como um ator comanda seu papel no palco. Segregando nossos tipos de relação, poderíamos controlar algumas delas talvez, a vida profissional, familiar, as amizades ou mesmo nossos relacionamentos amorosos.
Uma primeira condição para aplicar o sistema seria primeiro achar a linearidade do personagem, transpondo isso pra sociedade, seria como saber como a pessoa funciona, decifrar o psicológico das pessoas, fazer uma "leitura fria". Saber como entrar na cabeça de alguém assim talvez nem a conhecendo direito pode ser uma tarefa árdua, mas não impossível. As pessoas tendem a serem previsíveis.
A segunda condição implica mais na coragem de fazer a ação, acreditar que ela dará certo, pois, diferente do palco onde se pode ensaiar, talvez seja um caminho tortuoso de se caminhar.
Unindo tudo isso, talvez fosse possível. Talvez realmente haja um meio de decifrar e controlar a mente das pessoas. É óbvio que não digo controlar uma pessoa, mas apenas alguns pequenos aspectos da vida.
Outra questão a se pensar seria a questão de brincar com a mente das pessoas. Não vejo dessa forma. Não digo pra ninguém brincar com sentimentos e ações. Esse seria apenas um caminho mais válido para chegar ao mesmo fim. Citando Caio Fernando Abreu: "Te escrevi duas vezes: a 1ª saiu uma coisa sincera, mas lamentativa demais, um saco. A 2ª saiu “madura e controlada”, mas extremamente falsa." Se essa escrita "madura e controlada" te desse uma oportunidade com sua amada, não seria este apenas outro caminho válido?
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